De volta: motivado e feliz

muriloA mãe do Murilo, Adriana, conhece muito bem o Henri Wallon|Recrearte. Nesta escola chegou a ser Assistente de Coordenação Pedagógica no passado. Uma das razões que fazem seu rosto brilhar, ao falar deste tempo na sua vida, sem dúvida, é o perfil da escola muito ligado a projetos lúdicos. Adriana desenvolveu muitos deles no seu tempo. O Murilo, pode-se dizer, começou a frequentar o Henri Wallon, em 2003, dentro da barriga da mãe. Infelizmente, quando nasceu, na escola não havia berçário. Adriana morava em Santana e foi lá que o garoto frequentou a primeira escolinha até os dois anos de idade. Em 2005, ela deixou o Henri Wallon|Recrearte para trabalhar com a formação de professores na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Nessa época, a família já estava morando na Aclimação e foi possível colocar o Murilo, que tinha dois anos, no ensino infantil da Recrearte. Discreto e sensível, ele passou bem pelo período de adaptação e começou uma jornada de muitas alegrias e fortes relacionamentos que terminaria no 5º ano. Foi ele quem manifestou a vontade de conhecer um novo colégio e Adriana achou bom que o filho estivesse disposto a deixar sua zona de conforto. Ela tomou o cuidado de analisar, objetivamente, os currículos de outras escolas e decidiu levar o filho para o Nossa Senhora da Glória, instituição onde o irmão mais velho, Danilo, havia estudado da primeira à quarta série. Os demais anos do Fundamental II, Danilo também havia concluído no Henri Wallon, colando grau no nono ano, em 2003. A primeira coisa que incomodou Adriana foi perceber que na nova realidade escolar do filho havia menos participação, menos diálogo e menos decisões conjuntas. Murilo também precisou lidar com situações difíceis e complexas no cotidiano escolar, o que, por um lado, trouxe para ele mais maturidade, mas também insatisfação. Então, ele começou a pedir para voltar para o Henri Wallon|Recrearte. Lá, seguia intacto o vínculo forte com os amigos. Adriana colocou algumas qualidades do HW na balança como as aulas diferenciadas, a forte participação do grupo, acompanhamento das aprendizagens, o respeito aos processos e decidiu: ele deveria mesmo voltar. Hoje, a caminho dos treze anos, Murilo está integrado e feliz num espaço que combina mais com ele. Adriana sabe que a experiência fora do Henri Wallon foi proveitosa para mostrar ao filho novas possibilidades e que, certamente, ele está mais feliz. Seu retorno ao Henri Wallon lhe trouxe novas possibilidades para aprender melhor os conteúdos e projetos do 8º ano. Ele foi acolhido, com entusiasmo, pelos amigos e por todos do colégio.

Murilo é aluno do 8º ano do Colégio Henri Wallon|Recrearte, filho da Adriana, do Marcelo e irmão do Danilo, da Marina, da Thais e da Juliana e tio do Luisinho e da Laura.

Crescendo e Aprendendo Sempre

debora2Débora tinha 16 anos quando começou a trabalhar e o destino a levou justamente até a porta de uma escola. Era tarefa dela levar quatro crianças de seis e sete anos, de suas casas até a escola Marechal Floriano, na Rua Dona Júlia. Naquele tempo, as ruas eram mais tranquilas e ela se divertia no trajeto com os pequenos. Ainda não imaginava que, justamente dentro de uma escola, ela passaria a maior parte de sua vida profissional. Um dia, no ano de 2006, uma funcionária do Henri Wallon|Recrearte, a dona Maria, que era vizinha de Débora, contou a ela que a escola iria precisar de uma recepcionista. Débora não perdeu tempo: pediu à dona Maria que levasse até a Christina, assistente de direção, o seu currículo. Lembra que a Rosaly, diretora da escola, a chamou para uma entrevista e ela começou a trabalhar em seguida. No começo, ficou um pouco assustada com tanto movimento, afinal de contas, grande parte da vida da escola passa pela recepcionista. Durante três anos, a recepção foi a grande escola onde ela aprendeu a lidar com gente. Débora conta que, algumas vezes, as pessoas chegam nervosas, com problemas, e ela entendeu, com o tempo, que o fundamental é acolhê-las e saber ouvi-las. Em 2012, Débora sofreu a perda precoce da mãe, sua companheira e apoiadora de todos os momentos. Decidiu lidar com a tristeza de uma forma construtiva e foi se dedicar a uma faculdade de administração. Em 2013, iniciou um relacionamento com José Augusto. Já não trabalhava mais na recepção, havia se tornado auxiliar administrativa. Passado algum tempo, Débora recebeu a boa notícia da gravidez de gêmeas. No começo foi um susto para o jovem casal, mas como a gravidez evoluiu bem, os dois se uniram à espera das duas princesas: Isabella e Sophia, que chegaram ao mundo cheias de saúde. Cumprida a licença maternidade, ela voltou à escola, onde, hoje, encara o novo desafio de Assistente do Departamento Pessoal. Os planos agora são de retomar a faculdade de administração, interrompida durante a gravidez, e não parar de crescer e aprender sempre. Na secretaria do Colégio Henri Wallon | Recrearte, onde passa a maior parte do dia, ao lado das colegas de trabalho Gessyca, Sofia, Ana Paula e Chris, ela segue levando os dias com a tranquilidade e o sorriso de sempre. E ninguém duvida de que ela ainda vai longe.

Débora Maria da Silva é Assistente do Departamento Pessoal do Colégio Henri Wallon |Recrearte.

36 anos de histórias – Aqui é o meu lugar

 

kevinQuando o Kevin Itoo estava cursando o 6º ano no Henri Wallon| Recrearte seu pai, o Denis, recebeu uma proposta maravilhosa de trabalho no Japão. Depois de encontrar uma escola japonesa, com três professores brasileiros que poderiam ajudar Kevin com a língua, o pai aceitou a oferta e se mudaram para a cidade japonesa de Takaoka. As escolas, no Japão, são muito diferentes das brasileiras, diz a família Itoo. Existe apenas um padrão de escola, que é pública, e oferece a mesma qualidade de ensino, independente do nível social do aluno. As crianças devem ir sozinhas, de sua casa até a escola, e todos os dias começam com muita atividade esportiva. A limpeza e organização do ambiente escolar, é responsabilidade dos alunos. Tudo isso, a família do Kevin conta com muito orgulho. O que eles não esperavam é que o garoto, sempre tão comunicativo, fosse encontrar tantas barreiras em relação à língua. Sem fluência no japonês, Kevin ficou totalmente isolado e sua adaptação ficou muito difícil. O sonho de voltar para o Brasil, para o Henri Wallon, tornou-se frequente na cabecinha dele e foi prioritário para a família, apesar dos compromissos profissionais do pai. A família Itoo, então, se mobilizou para tentar o que parecia impossível: trazer o Kevin de volta para o Brasil a tempo de concluir o ano letivo aqui. Neste momento, foi fundamental a parceria e a relação estreita que o Henri Wallon | Recrearte desenvolveu com a família nos anos em que o Kevin estudou no colégio. O avô, no Brasil, ligou para a Lourdes, diretora da escola, e contou tudo que o garoto estava passando. As diretoras, então, conversaram e se compadeceram: Kevin era um aluno dedicado, comunicativo, de quem todos gostavam muito. Assim, decidiram dar uma chance a ele, mas não seria fácil: o aluno teria dois meses para recuperar os conteúdos perdidos no Japão e fazer uma prova. Kevin e a mãe voltaram imediatamente para o Brasil e ele agarrou sua chance com unhas e dentes: depois de sete meses de dificuldades, uma porta se abria e Kevin podia voltar para a escola onde sempre se sentiu integrado e feliz. Movido pela vontade de seguir na mesma sala de seus amigos e não perder o ano letivo, Kevin estudou com total determinação, nos dois meses, e fez a prova numa quinta-feira. Na segunda seguinte, as aulas já começariam. A sexta-feira foi tensa para a família Itoo, esperando que o telefone tocasse. Quando a Luciana, Assistente de Coordenação, ligou na casa do avô e contou que ele havia passado, seu coração disparou no peito. Saiu gritando de alegria pela casa. Hoje, no 8º ano, ele segue se esforçando para superar qualquer lacuna que tenha ficado desta transição. O pai também voltou para o Brasil. O principal ganho da família Itoo, eles não têm dúvida, é ver de novo o sorriso no rosto deste garoto valente chamado Kevin.

Ficou no Coração – Por Vitória Blat

A Vitória Blat é filha da professora Ivanessa que ensina balé no Henri Wallon Recrearte, ela estudou na escola, juntamente com o irmão, até o nono ano. Em 2015, na festa de apresentação do balé, ela fez um emocionante discurso que nos surpreendeu e que queremos compartilhar aqui.

vitoriabom

“Há 35 anos, essas duas mulheres incríveis tiraram do papel um lindo projeto e montaram essa escola. Qualquer um que tenha passado pelo menos um ano de sua vida aqui, vai saber do que eu estou falando. O colégio Recrearte | Henri Wallon vai muito além do que alguém pode esperar de uma escola. E eu digo por experiência própria: foram os anos mais felizes da minha vida. Não se trata, apenas, de aprender um conteúdo programado, mas sim de EDUCAR, humanizar, desenvolver senso crítico e a responsabilidade de que a gente é o futuro deste mundo. Aqui, o conteúdo conversa com as questões da atualidade, com a arte, com a comunicação. Educação é aprender a dialogar, analisar, opinar e respeitar o próximo, acima de tudo.
Parabéns Lourdes e Rosaly. Vocês são realmente especiais. São pessoas, como vocês, que enxergam a educação dessa maneira – ampla e linda – que o mundo precisa! Parabéns a todos que fizeram e fazem parte desta história. E obrigada! Obrigada por serem um capítulo tão importante e feliz da minha vida.
Vitória Blat

35 anos de histórias – O livro de ouro

LivrodeouroEste é um fato verdadeiro que aconteceu há muito tempo, em 1983, quando a escola era ainda bem pequenininha. Na época, a professora Elizabeth, que dava aula para o pré, hoje primeiro ano, resolveu registrar a história de um jeito bem diferente. Escolheu um caderno bonito, forrado com veludo, com detalhes dourados e deu o nome de “Livro de Ouro”: todos os alunos que aprenderiam a ler e a escrever na escola, dali em diante, deixariam seus nomes assinados nele. E o “Livro de Ouro” segue firme, já exibindo as marcas do tempo, passando de mão em mão a cada ano, de um aluno que viveu a magia da alfabetização, para outro que ainda vai viver. Hoje, são mais de mil estudantes que assinaram o livro, desde 1983, muitos já estão formados trabalhando nas mais diversas profissões. E o que mais nos alegra é que todos os anos, um ou outro reaparece, trazendo seu filho pelo braço para estudar, aqui, no Henri Wallon|Recrearte.
Este ano quem revelou a história do Livro de Ouro para a turma do primeiro ano foi o professor Eros, de Arte. Aconteceu numa deliciosa aula de contação de histórias na Biblioteca do colégio. Os alunos ficaram tão encantados com a narração do professor, que não viam a hora de poder assinar o tal Livro. Quem entregou o Livro de Ouro para as alunas do Infantil IV – as gêmeas Beatriz e Luísa da Costa Grossi – foram os alunos do primeiro ano – Henrique Gentile e Mariana Mitsuoka. E, assim, seguimos honrados em fazer parte deste momento único e transformador na vida de outra turma de crianças, que ganha acesso ao mundo maravilhoso das palavras.

35 anos de histórias – Menino em Transformação

caioPois é, este é um cara que vai à luta pelo que quer e acabou de apresentar seu TCC. Foi aprovado e já entrou na Faculdade de Educação Física, um esportista nato. Ele entrou no Henri Wallon | Recrearte, no ano 2000, com apenas dois aninhos de idade, usava fraldas ainda. A gente lembra muito bem como foi difícil fazer o Caio largar a chupeta. Tímido que só ele, decidido a não participar, de jeito nenhum, daquela tal Festa Junina. O pai, Marcelo, veio contar pra gente da transformação do Caio. Aos pouquinhos, cercado pelo carinho dos professores e de todo o pessoal da escola, o garoto foi mudando. Nos últimos anos no Henri Wallon, nas festas juninas, era o líder da farra: seguro de si e amparado pelos valores fundamentais que aprendeu nas aulas, junto com o conteúdo pedagógico. No dia 12 de novembro de 2015, o pai coruja foi assistir a apresentação do TCC do Caio na Fecap. Vamos colocar, aqui, as palavras que ele nos enviou e que nos encheram de orgulho e confiança nos caminhos que a escola escolheu: “Os valores que foram muito bem passados a ele, hoje ficaram evidentes, estavam transbordando naqueles quarenta minutos de apresentação. Além do meu orgulho de ver meu filhão preparado para ir à luta, vocês não saíram do meu pensamento, porque tudo começou com vocês… Sou muito grato por vocês fazerem parte da vida e da história dele. Muito obrigado do fundo do meu coração.”

Marcelo Aranha – pai do Caio

Entre a língua portuguesa e a pedagogia

BiancaFotoQuando a pequena Bianca foi colocada pela mãe na escolinha, deu um trabalhão. Chorava o tempo todo. Hoje, professora do Infantil IV do colégio Henri Wallon Recrearte, ela ri quando conta isto para as mães dos seus alunos. Quem diria que o lugar onde ela se sentiria mais feliz no futuro seria justamente na escola?Aliás, só precisou crescer um pouquinho pra começar a dar aula para as amigas do prédio onde morava na Rua Urano, na Aclimação. Mas tinha a quem puxar: dentre as professoras e pedagogas da sua família está a tia Maria Lucia, que hoje atua como assistente administrativa no Henri Wallon. Lembra direitinho quando a tia voltou do exterior cheia de materiais didáticos que a deixaram maravilhada. Dentro do universo da educação, a língua portuguesa sempre exerceu um fascínio especial sobre ela. E assim, chegada a hora do vestibular, Bianca escolheu tentar o curso de Letras. Aos 17 anos, passou no vestibular e ingressou na faculdade. Cheia de vontade de conquistar a independência, partiu em busca de trabalho. Um currículo enviado através da tia e pronto: Bianca conquistou sua chance de atuar como auxiliar da professora Clélia, no Infantil I do Henri Wallon Recrearte. A professora Clélia,e seu grande amor pela profissão, foi um exemplo fundamental na decisão que Bianca tomaria ali e que definiria seu futuro: pediu transferência na universidade para o curso de Pedagogia. Quatro anos depois de entrar no colégio como auxiliar, assumia sua primeira turma de Infantil I. Depois de alguns anos educando os pequenos que acabavam de chegar à escola, foi convidada pela coordenadora Natalia a assumir o Infantil IV. Foi um salto, conta ela, lembrando que, felizmente, a professora Ana Paula estava lá dividindo com a Bianca toda sua experiência nesta fase do ensino. Hoje, a professora está realizada à frente do Infantil IV e reforça que vale a pena ter experiência com níveis diferentes de ensino. Apesar da cara de menina, Bianca conta que esteve presente em vários momentos históricos nestes 35 anos de escola: a reforma, a inauguração do playground, a chegada da Unidade III, as salas ambiente… E, se depender dela, ainda vai estar na foto de muitos acontecimentos que virão. Além do trabalho fundamental que realiza dentro da sala de aula, ela atua na parte da manhã como revisora unindo assim suas duas paixões: a língua portuguesa e a pedagogia. Do futuro ela espera novos desafios e, quem sabe, voltar para a faculdade para terminar aquele curso de Letras.

Bianca Lorena Bueno é professora do Infantil IV da parte da tarde no colégio Henri Wallon Recrearte.