Alunos Autores – Tempo

Alguns dizem que eu sou relativo, outros dizem que sou dinheiro, e tem até quem diga que eu sou a única coisa que não se pode ter de volta. Podemos dizer que todas as afirmações estão corretas, existem diversas interpretações para “o tempo”, então não se pode me definir com apenas um significado, só de me procurar no Google, de cara se podem ver 14 significados. A minha história não tem um começo e nunca terá um fim, pois eu que dou fim às coisas, e posso fazer coisas que nem a ciência mais moderna pode. As pessoas tentam me medir através de relógios, mas eu não posso ser medido de uma maneira exata, pois posso variar conforme as circunstâncias. O universo que conhecemos, hoje, surgiu há 13,7 bilhões de anos, um ser humano vive em média 75 anos, um valor completamente insignificante na história do universo, um valor tão pequeno, que nem o ser humano consegue aproveitá-lo. Não entendeu? Há não muito tempo, passamos pela revolução industrial. Um novo jeito de ver o mundo, cheio de inovações, máquinas que facilitariam a vida dos humanos de diversas formas diferentes, mas uma das invenções que revolucionou a forma com que vissem a vida foi o relógio. Uma simples esfera dotada de 3 ponteiros de comprimentos diferentes, circundado por 12 números e 60 linhas. Parece algo bobo, mas esse simples objeto, cheio de engrenagens, controla o ser humano desde então. O tempo que alguém passa trabalhando é controlado por ele. O tempo que a pessoa tem para comer é controlada por ele, e até o tempo que a pessoa tem para dormir é controlada por ele. Depois da invenção do relógio, as pessoas pararam de aproveitar seus míseros 75 anos (que na época era menor que 30 anos) e começaram a viver em função do que eram mandados a fazer, controlados pelo relógio. Atualmente, as coisas não mudaram muito. As pessoas vivem apressadas para fazerem planos e garantirem que seus últimos 15 anos sejam tranquilos, mas esquecem que estão me desperdiçando, vivendo no futuro e não aproveitando o presente, não aproveitando o agora. Não estou dizendo que as pessoas não devem ter um planejamento para pelo menos viver de forma confortável no futuro, mas é um desperdício “de mim”, passar a vida inteira apenas pensando no que vai vir, sem viver o que está acontecendo agora. No caso, esse é só um dos motivos que faz com que as pessoas vivam no futuro, porém existem muitos outros, como a espera de algo que está por vir. Tem gente (quase todo mundo) que passa todo seu tempo pensando em algo que ainda vai chegar, como um jogo novo, uma viagem, uma nova etapa da vida, seja o que for, e não dá valor nenhum para a experiência do agora. As crianças e jovens estão sempre dizendo que não veem a hora de se tornarem adultos, que querem ser independentes e que querem ter o próprio dinheiro, etc. Os adultos vivem dizendo como foi boa a sua infância, que não a souberam aproveitar, que dariam tudo para poder viver tudo aquilo de novo, poder aproveitar a época que eram despreocupados, que não tinham contas a pagar e que suas únicas obrigações eram ir à escola e tomar banho. Os idosos, por sua vez, dizem que não viveram, que não realizaram os objetivos que queriam durante a fase adulta, que sua vida está chegando ao fim e que não deixaram nada de importante para a humanidade. Infelizmente, é natural do ser humano não aproveitar o agora, não dar valor ao que tem, e só perceber que era valioso no momento em que o que tinha vai embora. Pare um pouco e pense: o que você vai pensar sobre o que está vivendo agora no futuro? Será que você está aproveitando o momento do jeito “certo” ou você irá se remoer pelo resto de sua vida por não ter aproveitado essa época que você está vivendo agora, no momento que lê esse texto? Antes de viver pensando apenas no futuro, reflita: Será que no seu futuro, você terá o que tem hoje?

 

Texto de autoria de João Antônio Martins, aluno do 8º ano do HWR.

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