Alunos Autores 1

Minha Vida de Borracha

Eu estava na estante de materiais escolares com minhas outras amigas, todas borrachas rosas esperando por um dono…. Tínhamos que completar nossa missão. Quanto mais nos usavam, melhor era nossa marca, apesar do uso nos levar a morte.

Naquele dia eu pude ver um menino de óculos quadrados, cabelos castanhos e olhos escuros chamado Tom entrando na loja de materiais escolares. Ele se aproximou de nós e olhou delicadamente para cada uma. Sua mãe estava chamando para ir embora, então ele me pegou rapidamente e me levou para o Caixa. O Caixa, passou uma luz vermelha em mim e no mesmo instante um barulho perturbador ecoou bem alto… “BIP”! O meu preço havia sido lançado. Então, a mãe do menino pagou e me jogou dentro de uma sacola escura, sem que eu pudesse me despedir de minhas amigas.

Chegando em casa, escutei barulhos de cadernos sendo abertos e fui me preparando para um possível uso. Ele me tirou da sacola, me deixou perto do caderno de atividades e começou a escrever firmemente com o lápis. O menino era implacável nas matérias, mas ele não me usou nem uma única vez nesse dia. Admito que senti tristeza, mas eu teria muitos outros dias pela frente.

Ele me colocou no seu estojo e eu comecei a me ajeitar quando, de repente, um lápis falou: – Você não terá nenhuma utilidade aqui. – Como assim? Ele me comprou… Vai ter que me usar uma hora. – Respondi – Ele não erra nada, ele é o Nerd da escola. Sua antiga borracha foi perdida e também não foi usada. – Disse o lápis. – Pare de me assustar… ele vai precisar de mim! – Insisti. – Acredite no que quiser… – O lápis falou.

Assim acabou a conversa. Sabia que amanhã eu iria para a aula e seria usada então nem me importei muito com o que aquele lápis boboca disse.

No dia seguinte, o menino me tirou do estojo, me colocou próximo do livro e começou a resolver exercícios de matemática. E eu me perguntava: “Como deve ser o contato com o papel daquela forma?”, “É relaxante?”, “Ele vai me usar?”. Enquanto estava distraída com minhas próprias perguntas, ele encostou em mim e me posicionou para “apagar” pela primeira vez… Mas do nada ele parou e voltou a analisar a questão, percebendo que, na verdade, estava correta… Esse foi um dos piores dias!

Os dias se passaram e eu NUNCA era usada. O menino NUNCA errava, não tinha nem um ponto final errado, nenhum rabisco nas folhas, nenhum desenho mal feito a ser corrigido: o menino era perfeito!

Um dia, quando ele havia me deixado bem próximo da beirada da mesa, uma menina acabou esbarrando em mim e me derrubando. A queda foi horrível, senti meu corpo quicando no chão e me distanciando muito da mesa do meu dono. Mas eu não tinha o que fazer, então fiquei lá esperando ajuda. Quando tocou o sinal da saída todos foram embora, exceto um menino que estava procurando seu material perdido. Por pura sorte, ele me pegou, olhou para mim e me jogou dentro do seu estojo.

No dia seguinte, Luís, o menino que havia me resgatado, me colocou ao lado do seu livro e começou a fazer um exercício. Eu conseguia sentir a dificuldade que ele tinha de entender o que se pedia no enunciado, mas do mesmo jeito ele pegou o lápis e escreveu “Resposta B”. Logo em seguida foi até a mesa da professora conferir os resultados. E, para a minha alegria, o resultado que ele havia colocado estava errado. Foi aí que eu me senti útil pela primeira vez em minha vida. Senti o contato com o papel e ele conseguiu corrigir a resposta incorreta. Aquela sensação não foi tão agradável pois doeu um pouco já que não estava muito acostumada.

Meses se passaram e eu fui muito útil. Estava completando minha missão de vida e já estava pequena comparada com meu tamanho normal. Então ele me usou a última vez, me transformando em um farelo cor de rosa… Havia partido.

Texto de autoria de Isadora Cardoso Preuss do 8º ano do Colégio Henri Wallon Recrearte
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