Ensinando a ler o mundo

VanessaVanessa nasceu e viveu trinta anos em uma vila na Mooca. Na juventude, achava que iria seguir a carreira de secretária. Secretariado estava na moda no seu tempo de Ensino Médio na Escola Estadual Antônio Firmino de Proença. Chegou a ser aprovada na prova de secretariado do profissionalizante, mas a dúvida acabou quando chegou o primeiro estágio para o magistério: ia mesmo ser professora. A vontade não era só de dar aulas, Vanessa queria fazer algo pela educação. Ainda nem havia se formado e já assumia o posto de professora de uma turminha de infantil na escola Acalanto. Apesar da pouca idade, Vanessa não pestaneja em dizer que tirou de letra, sem ficar nem um pouco nervosa: dar aulas era mesmo algo natural para ela. Enquanto trabalhava no Acalanto, fazia o curso de magistério. Sempre buscando crescer, já no primeiro ano de Pedagogia, seguiu para uma escola maior como assistente no Ensino Fundamental. Quando a instituição fechou, foi em busca de uma escola que fosse a sua cara e encontrou o Colégio Henri Wallon | Recrearte fazendo seleção de novos professores. Vanessa lembra que havia muitos candidatos e o processo era rigoroso. Escolhida para assumir uma vaga no infantil, ela se apaixonou pela escola. Primeiro, por conta da afetividade e da educação das crianças e, também, pela valorização e cuidado com os professores. Durante muitos anos, trabalhou a pré-alfabetização, mas um dia decidiu que queria estar ao lado dos alunos nesta transição delicada e fundamental que é aprender a ler e a escrever. Foi assim que chegou ao 1º ano e começou a atuar na alfabetização dos pequenos. Ela adora estar por perto e dividir com eles a emoção de se transformar em um ser alfabetizado. – É mágico! – afirma animada. Realmente, é um momento onde tudo muda na vida deles: inclusive o prédio e o horário. Agora, mesmo que tenham ganhado apenas um ou dois centímetros, pertencem ao edifício “dos grandes” e isto traz alegria, orgulho, mas também desafios. E Vanessa está lá para segurar a mão deles nesta travessia. Cada turma que chega, ano a ano, tem um jeito diferente e convida a professora a repensar uma nova forma de ensinar. Vanessa está ali para trocar, para mediar e afirma que aprende tanto quanto ensina dentro da sala de aula. Uma dica dela sobre o momento de alfabetização: ter contato com o livro físico, manusear, trazer esta relação com o real para aprender a cuidar dele e valorizá-lo. Pergunto se ela pretende experimentar outros níveis de ensino e deixar a alfabetização: a resposta é a melhor, para ela e para toda a comunidade da escola. Vanessa pretende seguir fazendo o que faz tão bem: alfabetizando.

Vanessa Carone pedagoga e professora do 1º ano (manhã) e do 2º ano (tarde) do Colégio Henri Wallon | Recrearte.