A menina e os presentes do universo

cHUCHU2Paulistana da Vila Monumento, ela iria ser secretária ou astrônoma. Foi pensando nisso que fez secretariado na FECAP. Mas, em certa ocasião, uma amiga da mãe a convidou para ser auxiliar em sua escola, a Arca de Noé. Marilanda tinha só 16 anos e nem imaginava que, ali, seria o início de uma longa caminhada pelas trilhas da educação. Desdobrou-se para fazer o curso de secretariado de manhã, trabalhar na escola à tarde e fazer magistério à noite. Mas o destino decidiu por ela: a professora titular precisou deixar o cargo e as mães, em coro, pediram à diretora que deixasse as crianças com Mari, a auxiliar. Depois disso, não teve jeito, assumiu sua primeira turma e decidiu que o vestibular seria mesmo para Pedagogia. Na Arca de Noé ficou 16 anos, até o fechamento da escola. Foi, então, selecionada para trabalhar no Henri Wallon | Recrearte, onde deixou de ser Marilanda para se transformar em Chuchu, apelido dado carinhosamente pelos alunos. Apaixonada pela sala de aula, durante 11 anos Chuchu trabalhou nos períodos da manhã e tarde. Mas tudo voltou a mudar quando chegou à sua vida o Cauã, filho que o universo escolheu para ela e que, de tão parecidos, todo mundo desconfia que carregam os mesmos genes. E Chuchu repete o que ouviu de um padre um dia: “o amor faz as pessoas muito parecidas”… E não é verdade? Para ficar mais perto do seu presente do universo, Chuchu passou a ficar apenas as manhãs na escola. Mas, se a maternidade diminuiu seu tempo de dedicação, aumentou, em muito, sua qualidade enquanto professora. À frente do 4º ano do ensino fundamental, Chuchu sabe que está ajudando as crianças numa transição delicada, um período em que, às vezes, é preciso desempenhar funções de mãe: dar autonomia e limite, dar carinho e ser firme. É uma fase em que se vê o amadurecimento mudar rapidamente aqueles rostinhos: os gostos, as roupas, o jeito de falar. Os que entram pela porta no começo do ano são bem diferentes dos que saem. Chuchu explica que vê os alunos irem se tornando mais conscientes, percebendo-se melhor como indivíduos. Ela aproveita este momento para incentivar neles a solidariedade, o altruísmo, o respeito e a cidadania. Nas salas da Chuchu sempre brotam campanhas para ajudar pessoas carentes, animais abandonados, limpar uma praça ou doar livros. Ficamos felizes que não tenha se tornado secretária, mas, podemos dizer que ela tem um pouquinho de astrônoma: sempre buscando e visitando, com as crianças, universos desconhecidos, em uma viagem essencial que só faz crescer.

Marilanda Campilongo Cruz é professora do 4º ano do ensino fundamenta do Colégio Henri Wallon | Recrearte.

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