O prazer de ensinar e aprender

BethfotoboaEsta história começa com Oscália Góes, poetisa que dava aulas para os funcionários da estrada de ferro na cidade de Rio Claro, interior de São Paulo. Inspiração para a pequena neta que vinha da capital passar as férias, Dona Oscália foi o primeiro farol que iluminou, para Beth, os caminhos da educação. Quando a menina contou ao pai, o senhor Gerson, que também queria dar aulas, ele advertiu: se vai ser professora tem que ser completa, entender de tudo, senão é melhor escolher outra profissão. Porém, Beth queria mesmo ser professora e seguiu a orientação do pai à risca: foi atrás de entender de tudo. Não se contentou apenas com a formação em magistério no Colégio Santa Catarina de Sena. Fez todos os cursos que surgiram à sua frente: fantoche, dobradura, contação de história, música. A ponte de entrada para o Henri Wallon|Recrearte foi a saudosa Vó Ida, que participou dos primeiros anos do colégio, quando só havia a Educação Infantil. Pouca gente sabe que Beth foi uma das professoras pioneiras do 1º ano da escola, que naquela época era chamado de pré e fazia parte da educação infantil. Ela recorda, rindo, que logo no início enfrentou o desafio da alfabetização e, entre seus alunos, estava Adriana, filha da Rosaly, uma das diretoras. Haja desafio! Mas Beth, mesmo jovem e com pouca experiência, sempre sentiu confiança no que estava fazendo, realmente tinha nascido para aquilo. Foi ela, como professora, a responsável pela primeira Festa do Livro. Relembra, com emoção, que o pai a ajudou na criação do “Livro de Ouro” que, ainda hoje, os alunos assinam quando se tornam alfabetizados. Com o nascimento da filha Kátia, decidiu deixar a escola para dedicar-se à menina. O reencontro com o Henri Wallon|Recrearte se deu dez anos depois, justamente durante a Festa Junina. Na época, estava trabalhando em outra instituição no setor administrativo. Foi quando recebeu o convite para voltar a atuar junto à Coordenação Pedagógica na Recrearte. Novamente, ela abraçou o desafio e marcou sua atuação pela criação de um evento que se tornou tradição no colégio: a Fecriarte. Beth se lembra de como a Lourdes e a Rosaly acolhiam sempre suas ideias, por mais inovadoras que fossem. Chegaram a por em prática, para alegria geral dos alunos, a “Noite do Ronco”, em que as crianças dormiam na escola com seus colchões, travesseiros e pijamas. Naturalmente, Beth foi se envolvendo com as festas, os eventos de esportes, os passeios fora da escola. Consequentemente veio o convite para ocupar esta função incomum nas demais instituições de ensino: Coordenadora de Eventos. Ela explica que pouquíssimas escolas de São Paulo têm um profissional especializado nesta questão. Novamente a voz do pai ecoou forte dentro dela: tem que entender de tudo! Só a graduação em Pedagogia não bastava. E lá foi ela estudar, obtendo uma formação em Eventos e outra em Gestão de Esportes. E fez, ainda, pós-graduação em Psicologia Organizacional para fortalecer sua capacidade de lidar com pessoas. Esta é Beth e seu desafio de desvendar todos os mistérios da educação que, felizmente, nunca terão fim. O seu Gerson e a dona Oscália, onde estiverem, com certeza estão olhando para ela com um sorriso cheio de admiração e orgulho.

Beth Correa é Coordenadora de Eventos do Colégio Henri Wallon|Recrearte

Com a Escola até o fim

FotoMariaA primeira frase de Maria, sentada à minha frente enquanto esperávamos o café, foi: sou uma entusiasta do método da escola. Ela e o marido colocaram os dois filhos no Henri Wallon | Recrearte: primeiro o João Gabriel, que já está com 10 anos, e depois a Joy que hoje tem 3. A relação com a escola começou no que podemos chamar de um amor à primeira vista. João Gabriel estava fazendo o infantil 4 em outro lugar quando foram fazer uma visita ao HWR. Ele ficou tão encantado – conta Maria – que pedimos transferência no meio do ano mesmo. Ela lembra dos seus tempos de aluna no Colégio Anglo Latino na Aclimação: uma instituição rígida e formal demais. Vivência que inspirou Maria e o marido a buscarem para os filhos um colégio que valorizasse mais os aspectos humanos e emocionais do aprendizado. A família não quer escola que prepare para o vestibular, acha isto pouco: sua busca é de uma instituição que fortaleça a estrutura humana das crianças e os prepare para a vida. Maria diz que percebe claramente nas atitudes do filho, o JG, como ele é carinhosamente conhecido por todos na escola, o resultado desta filosofia de ensino. Meu filho é generoso, inocente, uma criança do bem. Busca o bem do grupo, não está focado na competitividade – ela diz. Maria se lembra rindo de que a primeira vez que o filho ouviu o sinal na outra escola, uma sirene esganiçada, ele se assustou. Quando chegaram no Henri Wallon | Recrearte e tocou música, ela percebeu que ali havia gente cuidando dos detalhes. Ela acha totalmente desnecessário sair da escola agora em busca de uma instituição maior. Maria não tem dúvida: assim como os filhos foram alfabetizados, eles irão passar no vestibular, e irão ter uma estrutura emocional forte para se adaptar ao que vier, sem a necessidade de transformá-los tão cedo em um número num lugar onde eles não serão reconhecidos por suas individualidades. Outro ponto que ela reforça como um valor importante para sua família é o contato próximo e afetivo com todos os profissionais da escola, inclusive com as diretoras. Ela encerra dizendo que ainda hoje, o marido Jofir se admira quando é reconhecido nos corredores como o pai do JG. Uma sensação de segurança, respeito e carinho que faz parte dos patrimônios difíceis de encontrar hoje em dia.

Maria e Jofir Avalone são pais da Joy e do João Gabriel, alunos do Henri Wallon|Recrearte.