A menina que nasceu professora

Imagem3Natalia começou a dar aula cedo, bem cedo, com uns sete anos, talvez. Porque esta era a brincadeira preferida dela com as suas irmãs Nadja e Nadine. Um fato consumado na cabeça dessas garotas era o futuro como professoras. Mas logo que chegou a hora de a mais velha Nadine fazer faculdade, o pai insistiu que ela buscasse uma profissão mais rentável. E ela cedeu. Com a irmã do meio foi a mesma coisa, mas quando chegou a vez da Natalia, ela bateu o pé: ia fazer Pedagogia de qualquer jeito, e foi. Começou a sua vida de professora numa escola conhecida da Vila Mariana, a Espaço Aberto, parceira do Henri Wallon. Um dia, estava com os seus alunos no pátio, de pés descalços, quando recebeu a visita de Nadja. A expressão de felicidade da Natalia deve ter sido mesmo imensa, pois fez renascer na irmã o antigo desejo; e logo Nadja e Nadine tinham abandonado as carreiras em Administração e Comércio Exterior para se entregarem ao Magistério. Não demorou muito e estavam trabalhando na mesma escola com a irmã caçula. Aos 26 anos, Natalia se tornou coordenadora pedagógica da Espaço Aberto e das irmãs mais velhas. Foram 18 anos na escola, onde ela amadureceu, se tornou coordenadora e teve o seu filho Pedro. Mas, certo dia, chegou a hora de o menino ir embora para o Ensino Fundamental. Natalia conhecia a fundo todas as instituições de ensino das redondezas, pois parte do seu papel também era ajudar os pais a escolherem a melhor escola de acordo com o perfil das suas crianças. E ela queria o Pedro no Henri Wallon|Recrearte. Foi quando descobriu que também precisava de novos desafios e não seria má ideia seguir com o filho para próxima escola. Começou ali a sua campanha para se tornar coordenadora no Henri Wallon|Recrearte e, como o universo conspira a favor da vontade que vem do coração, a vaga estava aberta à sua espera. Mas não foi fácil. A diretora do Colégio não queria nem pensar em tirar uma profissional tão importante da sua parceira Espaço Aberto. E foi preciso ficar no pé da Lourdes com a mesma determinação que usou, lá no começo para seguir o caminho da Pedagogia. Argumentou que estava deixando todo um time capaz de conduzir o seu trabalho na antiga escola e saía com a anuência da proprietária, que precisou ligar para a Lourdes e dizer: “A Natalia só será feliz mais uma vez na área da Educação se for trabalhar na sua escola”. A partir de então, o caminho ficou livre. Mas foram seis idas e vindas para reuniões até conseguir ser chamada para um estágio e a sua peleja chegar ao fim, com a contratação. Sobre os desafios de ser coordenadora do Ensino Infantil, ela aponta a necessidade de se posicionar sempre muito verdadeira com os pais e, às vezes, tocar em questões que incomodam. Esse compromisso com a verdade, ela diz que reaprende todo dia com as próprias crianças. Não estar mais no comando de uma sala de aula também dá saudade e, por isso, Natalia precisa estar sempre participando das aulas do Infantil, com as professoras, olho no olho dos alunos, com quem ela acredita ter uma ligação muito além do racional. “Quando entro na sala, se alguma criança ali precisa de mim, a gente magicamente se conecta.” – ela diz e, a julgar pelo espaço grande e profundo que ela conquistou no coração de todos na Escola, a gente acredita.

Natalia Helena Bortoletto é coordenadora da Educação Infantil do Colégio Henri Wallon | Recrearte.

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