Discurso de um pai na formatura do 9º ano de 2013

formatura9É inexplicável a emoção que senti quando a Lídia me informou que eu iria discursar na formatura deste ano. Nós estamos acompanhando o Henri Wallon há nove anos, quando a Thaísa saiu do Pré, na escola Espaço Aberto, e entrou no 1° ano no Henri Wallon. Obrigado pela oportunidade. Este ano, para todos nós pais e mães, houve um grande desafio: a escolha de uma nova escola. Vocês se lembram de alguns anos atrás, quando também estávamos escolhendo a primeira escola para nossos filhos? Não foi muito diferente. Insegurança, dúvidas… E chegamos ao Henri Wallon. Nossas inseguranças e dúvidas foram desaparecendo a cada dia que passava e observávamos nossos filhos se soltando, aprendendo e aprendendo. Eles foram conquistando seu espaço, e a cada retorno da escola, com a roupa toda suja de tinta e os sapatos cheios de areia, vimos que fizemos a escolha correta para nossos filhos. E essa construção foi se consolidando, consolidando, até que nos demos conta, principalmente nos FICs e Fecriartes, de quanto se desenvolveram. E, se neste ano ficamos inseguros na escolha de uma nova escola, é porque estávamos tranquilos e confortáveis aqui no Henri Wallon. Mudar quando tudo está bem, é difícil… Mas o que nos conforta, além de todo apoio que aqui recebemos, é que, se tivemos sucesso na escolha do Henri Wallon, com certeza acertaremos novamente. No início, trouxemos nossos filhos objetivando sua educação e hoje temos a certeza que este objetivo foi plenamente alcançado. Mas muito mais do que isso, sabemos que todos aqui amam nossos filhos e estão sentindo tanto quanto nós a emoção desta formatura. Temos muito a agradecer: desde a primeira professora, que tanta paciência teve, como também a todos da família Henri Wallon. Eu li um texto há algum tempo e gostaria de compartilhá-lo com vocês: “Quando vemos um navio no porto, imaginamos que ele esteja em seu lugar mais seguro, protegido por uma forte âncora. Mas sabemos que ele está ali em preparação, abastecimento e provisão para se lançar ao mar, ao destino para o qual foi criado, indo ao encontro das próprias aventuras e riscos. Dependendo do que a força da natureza lhe reserva, poderá ter que desviar da rota, traçar outros caminhos ou até mesmo procurar outros portos. E certamente retornará fortalecido pelo aprendizado adquirido. E haverá muita gente no porto, feliz à sua espera.”. Assim são os filhos. Primeiramente eles têm nos pais o seu porto seguro e em seguida na escola, até que se tornem independentes. Por mais segurança que possam sentir junto aos seus pais, eles nasceram para singrar os mares da vida, correr seus próprios riscos e viver suas próprias aventuras. É certo que levarão consigo os exemplos dos pais, o que eles aprenderam e todos os conhecimentos da escola, mas a principal provisão, além das materiais, estará no interior de cada um: a capacidade de ser feliz. Sabemos, no entanto, que não existe felicidade pronta, algo que se guarda num esconderijo para ser doada, transmitida a alguém. O lugar mais seguro que o navio pode estar é o porto. Mas ele não foi feito para permanecer ali. Os pais também pensam que são o porto seguro dos filhos, mas não podem se esquecer do dever de prepará-los para navegar mar adentro. Ninguém pode traçar o destino dos filhos, mas devemos estar conscientes de que na bagagem eles devem levar valores herdados como: humildade, humanidade, honestidade, disciplina, gratidão e generosidade. Filhos nascem dos pais, mas devem se tornar Cidadãos do Mundo. Os pais podem querer o sorriso dos filhos, mas não podem sorrir por eles. Podem desejar e contribuir para a felicidade dos filhos, mas não podem ser felizes por eles. A felicidade consiste em ter um ideal a buscar e ter a certeza de estar dando passos firmes no caminho da busca. Os pais não devem seguir os passos dos filhos e eles também não devem descansar no que os pais conquistaram. Os filhos devem seguir de onde seus pais chegaram, de seu porto, e como os navios, partirem para suas próprias conquistas e aventuras. Mas, para isso, precisam ser preparados e amados, na certeza de que: quem ama educa. E para finalizar, gostaria somente de dizer: como é difícil soltar as amarras dos nossos navios. E vocês, nossos navios, sempre estarão ancorados em nossos corações! Muito obrigado.

Thamer Salim Leme
11/dezembro/2013