Respeito às Diferenças

DIADIA2Alunos com necessidades fazem parte do cotidiano do HWR há muitos anos. No dia do F.I.C (Fórum de Iniciação Científica ) do Fundamental I, os alunos do 4º ano, divididos em grupos, realizaram oficinas para ensinar a técnica de montar petecas, para as demais turmas. Num dos momentos, em que um dos alunos/monitores, ia sentar-se para ensinar a técnica, um aluno especial sentou-se antes na mesma cadeira e o colega do 4º ano lhe disse: “pode ficar, o lugar é seu”, e realizou a demonstração em pé. Além disso, fez questão de ajudá-lo a montar sua peteca. A palavra inclusão não é só um conceito para os alunos do HWR: é vivência diária. Eles aprendem todos os dias a lidar com as diferenças, os limites e acolher ao outro.

Marcas

oriscoeofioNo segundo ano do Ensino Fundamental as crianças ganham um presente que vai acompanhá-las por toda a vida e que faz parte de sua personalidade: a letra cursiva. Para ajudar as mãozinhas a deslizarem pelo papel, criando as letras, as professoras Carla, Sueli e Tânia, dos 2ºs anos do HWR, trouxeram a inspiração através dos livros “O Ponto” do Peter Reynolds e “O Risco e o Fio” da Ana Clara Cozendey. A letra cursiva, embora polêmica, entre alguns educadores, continua sendo tratada no HWR, como uma verdadeira obra da criança. Então, foi um dia de grande emoção, para os alunos, quando eles convidaram seus pais para conhecerem as histórias dos livros e apresentaram sua própria letra exposta no mural da escola.

 

 

Amadurecimento

Qudiadiaando os pequenos deixam o Ensino Infantil rumo ao 1º ano, eles costumam se achar enormes. Realmente, é um salto de maturidade. E, no começo, eles não querem nem saber de visitar o espaço do Infantil. Mas é comum chegar um dia em que a saudade bate. A Maria Clara já estava no 4º ano quando apareceu na sala da Natália, coordenadora do Ensino Infantil do HWR, querendo rever as salas. E, de repente, lá estava ela do alto dos seus nove anos conversando com os pequeninos do Infantil II: – “É tão boa esta escola… Eu era tão feliz aqui… Agora eu tenho tanta lição!”. A coordenadora e a professora, que estavam por ali, se divertiram com o eterno duelo entre a vontade de ser grande e de ser pequeno, no coração dos alunos.

Relações Afetivas

DIAADIA3A professora do ensino fundamental propôs uma conversa na sala do 3º ano sobre Relações Afetivas. A Thais, Coordenadora do Ensino Fundamental, foi convidada a participar. A ideia era gerar uma reflexão sobre as diferenças entre os indivíduos e a importância fundamental de respeitá-las. A professora estava atenta para o valor deste assunto no dia a dia daquela turma. De repente, uma aluna estava contando sua história e ficou emocionada começando a chorar. Sem que ninguém pedisse, um dos colegas foi até sua mochila, pegou uma caixa de lenços de papel e entregou carinhosamente para ela. Surpresas boas como esta fazem parte da vida de uma escola que privilegia as relações humanas.

O Segredo

DIADIA2A alfabetização é uma das fases mais emocionantes da vida de uma criança. No Henri Wallon Recrearte as professoras Vanessa e Stephanie do 1º ano usam de todos os recursos lúdicos possíveis para envolver as crianças no processo. Foi assim que uma delas contou para os alunos que algumas palavras carregam segredos. A palavra “ganhar” é uma delas. O encontro entre as letras “n” e “h” cria um som completamente novo. Muitas palavras carregam segredos como este e os pequenos ficam fascinados em descobri-los junto com a professora. Ponto para a alfabetização! Mas um dia uma mãe ligou para a Cristiane, Coordenadora do Ensino Fundamental, preocupada. O filho estava guardando um segredo que não podia contar. A mãe já havia insistido e o menino não contava. Era um segredo que a professora contou e ele não podia sair espalhando por aí. Depois de alguma conversa o caso ficou elucidado e a mãe pôde dormir tranquila: o garoto estava dando uma aula de ética e preservando com determinação o segredo da palavra “ganhar”.

Trajetória

diadiaTodo ano acontece: os alunos do 9º ano, prestes a deixarem o colégio, aparecem na sala da coordenadora do Ensino Infantil do Henri Wallon Recrearte. O pedido é sempre o mesmo: querem rever o espaço onde estudam os pequenos. O fato é que muitos deles começaram sua aventura no mundo da educação ali. Tinham acabado de deixar as fraldas quando vestiram pela primeira vez o uniforme da escola. E é bonito ver os jovens emocionados entrando nas salas, com a mão na boca, impressionados com os brinquedos que eram enormes e hoje não são mais. Vemos brilhar nos olhos deles uma rica trajetória de amadurecimento que a escola abraçou. Vemos o carinho com que tratam os que estão chegando. E, em momentos como este, temos a certeza de que valeu a pena.

 

Eros, o guia das crianças nos mergulhos do mundo da arte.

Eros Soerosfotouza Secchi nasceu no município de São Caetano do Sul e mudou-se para São Paulo em 1981. Ele conta que fez diversos cursos na área de comunicação e chegou a ser vendedor e bancário. Mas o coração estava mesmo ligado ao universo da arte. Sua formação na área começou com o estudo de Desenho Artístico que o levaria ao curso superior de Educação Artística, com Habilitação em Artes Plásticas através do Instituto de Artes da UNESP. Chegou ao colégio Henri Wallon Recrearte como professor em 2002. Eros nos conta, com suas palavras, as experiências que o marcaram na escola e sua visão sobre a educação: “Guardo muitas lembranças boas no que se refere à minha relação com meu trabalho na escola e meu convívio com os alunos, mas, um momento que realmente marcou esta história, foi em 2005, quando tive a oportunidade de trabalhar a arte conceitual com direito a instalações e performances; foi um ano letivo muito gratificante. Há mais de quinze anos no HWR, procuro sempre ter um bom convívio com os demais colegas da equipe pedagógica, buscando ser solícito quanto ao trabalho e até mesmo nos momentos informais. Acredito na reciprocidade dos meus atos, inclusive quanto aos outros funcionários da escola que sempre me deram apoio em tudo, demonstrando coleguismo, respeito e solidariedade. Não faço distinções entre os meus colegas de equipe e aprendi a admirar o trabalho de cada um deles: polivalentes e especialistas. Sempre tive uma grande admiração e respeito pelo professor Edgard Morelli (judô e iniciação esportiva), pois a forma simples como trata a mediação durante as aulas demonstra que a força de vontade, o carinho no trato com os alunos e a paciência, diante dos desafios, são exemplos valiosos. Chegamos a desenvolver um trabalho de pesquisa juntos sobre interdisciplinaridade; considero-o, atualmente, mais que um colega de trabalho, um grande amigo. Com relação aos pais dos alunos, aprendi que a participação e o diálogo, assim como a transparência e a honestidade no trato, são as melhores políticas a serem demonstradas. Cabe ao professor tentar resolver dificuldades enfrentadas pelos alunos ou buscar compreendê-las para melhor apresentá-las aos pais e junto deles, encontrar novos caminhos. Por isso, é muito importante acompanhar a história de vida de cada aluno e estabelecer um diálogo franco e frequente com os pais. Hoje, tenho orgulho em dizer que fiz muitas amizades sinceras entre pais de alunos e ex-alunos durante minha vida no HWR. Acredito, sinceramente, que o papel do professor hoje, não se restringe apenas a ensinar, a dividir conhecimento. Creio que seu grande papel é educar o cidadão-aluno, mais até do que o artista-aluno, o desportista-aluno, o cientista-aluno; uma vez que somos formadores de opinião e a rotina na escola é a mais presente em suas vidas. Apresentar ao aluno um mundo real e, ao mesmo tempo, propiciar-lhe um espaço e dispositivos para sonhar, expressar suas ideias e simular situações pertinentes que a criança um dia poderá vivenciar, sem, naturalmente, privá-la do principal: seu tempo e direito de ser criança. Sem educação o indivíduo sobrevive, mas não vive de fato. Todas as formas de cultura – das ditas ‘primitivas’ às contemporâneas – são conhecimentos ou, pelo menos, são hoje conhecidas, devido a um processo educacional, transferido de pai para filho, de mestre para discípulo, de geração para geração. Educar é uma constante, o trabalho de um professor nunca termina realmente. Ele se estende a outras instâncias: universidade, mestrado, doutorado, família, comunidade, enfim… ao mundo. Educação, para mim, não tem fronteiras.”

Eros de Souza Secchi é  Professor de Arte do Fundamental I e de Projetos Interdisciplinares do Colégio Henri Wallon Recrearte.